Fonte: Brasil de Fato

Publicação: 03/08/16

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) selecionou projetos que irão reaproveitar os rejeitos de mineração que vazaram da barragem da Samarco, em Mariana, e atingiu a bacia do Rio Doce. A ideia é utilizar o material na construção civil, com a produção de tijolos, telhas, blocos e pisos.

Foram aprovados 29 projetos, sendo que seis estão classificados como Recuperação do Solo, sete em Recuperação da Água, oito na Recuperação da Biodiversidade e oito na linha Tecnologias Sociais. No total serão distribuídos R$ 4 milhões, para ajudar no trabalho dos pesquisadores.

Uma das pesquisas aprovadas é do pesquisador Rafael Farinassi Mendes, doutor em Ciência e Tecnologia da Madeira vinculado à Universidade Federal de Lavras (Ufla). O cientista já desenvolve um estudo sobre a aplicação de materiais lignocelulósicos (eucalipto, pinus, bagaço de cana, casca de café, entre outros) em artigos a base de cimento, como telhas de amianto, blocos, pisos e tijolos. Com a bolsa, a pesquisa será expandida de modo a estudar a adição destas fibras vegetais aos resíduos de mineração para produção de artigos ecológicos que possam ser usados com segurança na construção civil.

Rafael explicou ainda que a medida permite não apenas a substituição de materiais de enchimento como a areia. E sim também outros componentes de custo mais elevado, como o próprio cimento, assegurando o uso do resíduo de mineração em grande escala.

Blocos de Tijolo

Outro projeto, de Fernando Soares Lameiras, do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), busca usar o resíduo depositado no leito do rio Gualaxo do Norte e na barragem de Candonga para fabricar blocos semelhantes ao tijolo maciço.

De acordo com o pesquisador, com a bolsa, ele espera atingir as especificações técnicas exigidas pelo mercado de construção civil, como resistência e absorção de água adequadas. “A intenção é de pegar o resíduo, formado por lama, argila, material arenoso e orgânico, e acrescentar um baixo percentual de fundente. Depois de colocar no forno, forma-se uma liga bastante resistente e assim conseguimos aproveitar o material. A matéria orgânica queima e não atrapalha a mistura. A ideia é fazer um agregado parecido com um tijolo, que pode ser usado em alvenaria, por exemplo”, explicou.

Geração de emprego e renda

Além de permitir a destinação adequada dos resíduos de mineração, ambos os projetos preveem que a fabricação dos artigos de construção civil vão se tornar em novas fontes de emprego e renda para a população afetada durante anos.

A identificação do uso correto dos resíduos vai tornar possível a instalação de microempresas locais e o consequente desenvolvimento econômico da região.

Para conhecer todos os projetos selecionados, clique aqui.

Rejeitos que vazaram na Bacia do Rio Doce poderão ser reaproveitados na construção civil
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